O PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE JAPARATUBA
O DESAPARECIMENTO DA HISTÓRIA ARQUITETÔNICA DA CIDADE DE JAPARATUBA
Texto publicado no Instagram Expressão Sergipana
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O município de Japaratuba, no Estado de Sergipe, distante 54 km da capital Aracaju, localizado no Vale do Cotinguiba, na Zona Norte do estado, possui 374,3 km² e população estimada atualmente, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, em pouco mais de 18.000 habitantes. A história do município é basicamente iniciada na chegada do colonizador português Cristovão de Barros em 1590, ali se instalando. De lá, desde a chegada de Cristovão de Barros, até os dias atuais, a cidade passou por inúmeras transformações sócias, culturais, e arquitetônicas, fazendo a cidade ser conhecida em todo estado de Sergipe como celeiro da cultura, porém o descaso com a história local, e até o desconhecimento popular das estórias que circundam suas edificações e monumentos, propiciam ao abandono, e a perda da memória histórica e o DNA da comunidade.
Podemos exemplificar
esse descaso estatal, não apenas responsabilizando uma única administração já
passada, ou atrelar a culpa numa atual, mas também pela falta de zelo popular,
sua falta de interesse, e até desconhecimento da representatividade que detém a
valoração do reconhecimento histórico de um bem tombado. Quando relatamos a
história do casarão da fazenda Cabral, fica mais nítido esses fatores que
propiciam o descaso, a falta de zelo e proteção, seja estatal, seja popular.
“Ouvi em uma aula de história, na escola Dr. Manoel Luiz, da rede pública de
ensino, do professor de História Marcos Vinicius, que tal habitação fora morada
por dois dias do nosso imperador Dom Pedro II, durante sua visita a capitania
de Sergipe Del Rey”. Poucos sabem na cidade dessa história, mas é real, e
alguns poucos rogados, e conhecedores das “estórias” do “casarão do Cabral”,
ratificam a narrativa ouvida numa aula de história da 8º série do ensino
fundamental, de um aluno sonhador e apaixonado pelos contos e narrativas que
construíram nosso Brasil e nosso Estado. Lamentavelmente como observamos na
foto, ele veio ao chão, mesmo com essa rica narrativa, e sua arquitetura
colonial.
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| Antigo Engenho Cabral |
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| Engenho Cabral |
Ainda, podemos citar o caso da nossa igreja
matriz, maior monumento artístico e cultural da cidade. A
Igreja da Matriz Nossa Senhora da Saúde pode ser vista na parte alta da cidade
pelo turista, antes mesmo de sua chegada à localidade, vindo pela BR 101. O santuário
foi inaugurando em 1882, construído durante as Santas Missões, época em que os
missionários iam até as pedreiras e voltavam em procissão, trazendo pedras para
erguer o tempo religioso. A administração pública municipal considera o
santuário o maior monumento cultural da cidade. Todavia, o título de patrimônio
cultural da humanidade foi perdido por sua descaracterização quando da
substituição do piso da edificação por cerâmica em lugar das pedras portuguesas
que ali existiam.
Outros
monumentos também podem ser elencados no tocante ao descaso estatal no que se
refere à salvaguarda desse patrimônio histórico, a igrejinha do Saquinho, onde
pouco se sabe sobre essa edificação, porém sua arquitetura, suas colunas, e os
túmulos encontrados dentro da edificação atestam sua valoração histórica, como
pode ser visto nas fotos. A antiga Missão, antigo hospício da cidade e local
onde nasceu o município, porém demolido pela ação do tempo, somados a falta de
interesse público, atrelados também à falta de vontade popular, é mais um caso
de perda da memória histórica popular, já que estes são solidariamente
responsáveis pelo zelo da riqueza, onde um fomenta, e o outro cria mecanismos
de preservação, mas o “vácuo do descaso” de ambos, são fatores que fortalecem a
narrativa da destruição da história da cidade, pelas intempéries, sejam fatores
naturais e humanos. Ainda tem o caso da gruta do capim branco, antigo
esconderijo quilombola, e várias edificações modificadas em detrimento a
especulação imobiliária, estes são inúmeros casos que podem ser contados.
Túmulo dentro da Capela
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| Capelinha do Saquinho |
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| Foto dentro da Capela |
Algumas tentativas
legislativas foram iniciadas para fomento da valorização da história local,
como a Lei 14/2015, também chamada de LRPV – Lei do
Registro do Patrimônio Vivo - criava um livro de registro do patrimônio imaterial
de Japaratuba, mas a falta de interesse fez com que fosse arquivada. No âmbito
estadual também surgiram medidas, porém mesmo colocadas no papel, as ações na
prática para valorização e proteção nunca foram tomadas.
Como é
sabida, nossa legislação maior consagra a obrigação solidária entre poder
público e sociedade na preservação das riquezas históricas locais. As leis até
autorizam os entes municipais em legislar nesse âmbito, de acordo com o
interesse local, mas em nada funcionará se acaso a população não entenda seu
papel dentro desse quadro solidário de responsabilização. Embora a sociedade
seja importante nesse processo, o desconhecimento ainda é fator primordial na
falta de conservação da história e memória do patrimônio público tombado local.
O papel do estado na conservação do passado histórico não pode ficar atrelado
apenas à força legal e coercitiva, pois a disseminação da história não acontece
somente em sala de aula, ou dentro de gabinetes, ou tão pouco no parlamento, conservação do patrimônio cultural de um povo
é prova da valorização de sua história.
Autor: Bretane F. da S. Júnior
Advogado, pós-graduado em Direito e Gestão Municipal, graduando em História pela UFS.






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